Fiscalização encontra condições degradantes em plantações em PE após denúncias de mais de 800 cortadores de cana-de-açúcar

Mais de 800 cortadores de cana-de-açúcar denunciaram condições degradantes de trabalho em plantações da Zona da Mata Norte e Sul de Pernambuco.
Uma operação de fiscalização da Auditoria Fiscal do Trabalho constatou problemas como falta de banheiros, de locais para refeições e de equipamentos de proteção.
Segundo Luciano Simões, auditor fiscal do Trabalho e coordenador da operação, foram registrados casos de pessoas que se cortaram usando o próprio facão durante o trabalho, pois não tinham proteção adequada. Os trabalhadores denunciaram que não recebiam protetor solar nem luvas.
"As irregularidades encontradas foram diversas, inclusive a falta de água potável para beber, que os trabalhadores tinham que trazer de casa para poder beber. Falta de local para alimentação, falta de banheiro e a falta de equipamentos de proteção individual. Dentre outras irregularidades, como a ausência de assinatura de carteira [de trabalho] e uma possível fraude em algumas assinaturas de carteira em alguns contratos encontrados com os trabalhadores", disse o auditor.
Durante a auditoria, não houve reclamação dos funcionários em relação a atraso dos pagamentos. Porém, essa questão ainda vai ser apurada durante as investigações da Auditoria Fiscal do Trabalho, que segue em andamento.
A fiscalização no meio rural é feita durante o ano todo, segundo o auditor fiscal. A operação foi montada no começo da safra, por causa do início do corte da cana-de-açúcar.
Os empregadores que atuavam com irregularidades foram notificados durante a fiscalização para que regularizem a situação dos trabalhadores e apresentem documentos solicitados pela auditoria. Caso eles não comprovem que os ajustes foram feitos, podem ser aplicados autos de infração.
"Existe uma irregularidade que estamos apurando, que é essa questão da fraude, que são as carteiras assinadas por empreiteiros que não têm condições de assinar essa carteira. E, para mascarar a assinatura dessa carteira, eles registram, mas depois, quando acaba esse período de corte [da cana], os trabalhadores são demitidos e não recebem nada", afirmou Luciano Simões.
Como denunciar
Em casos de irregularidades, o trabalhador pode fazer uma denúncia, de forma anônima, por meio do site do Ministério do Trabalho e Emprego. No portal, é possível denunciar condições de trabalho análogas ao de escravizado, trabalho infantil e desigualdade salarial entre mulheres e homens.
Da redação/Itapuama FM. Reportagem: Nathalia Dielu/TV Globo. Informações: Portal g1 Pernambuco.





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